01/09/2008 11:43
Diversão não é felicidade. Demorei para perceber isto.
Em uma maratona de encontros com amigos, cujo combustível principal para o avivamento dos ânimos não é outro senão cerveja, tenho realizado que as seguidas noites de infindáveis risadas, conversas non-sense, abraços afetuosos e extrema diversão não fazem os meus dias mais felizes. Acordo, invariavelmente, com uma sensação de vazio.
Sou ansiosa; muito. Não sei lidar com a ausência, com o preenchimento da falta pela fantasia, pelas vozes de minha cabeça, pelos diálogos que nunca se realizam, pelas imagens criadas através do desejo, assim como das lembranças devidamente 'editadas' pela memória.
O celular tornou-se um símbolo de opressão, então, para desconcentrar da espera pela mensagem que nunca chega ou para fugir da ligação de sempre, bebo. Ou melhor, saio. A intenção primordial é distrair-me, a bebida é consequência; ou vice-versa! E dá certo até determinado ponto! Realmente tendo a ignorar a existência do aparelhinho e de tudo, e de todos, que ele traz consigo em forma de expectativas, mas o olhar mantém-se distante e à procura, numa constante espera.
Muitos e muitos cigarros depois, e aquele fedor impregnado nos cabelos, nas roupas, nos dedos e no hálito, o dia seguinte começa quase sempre com uma série de perguntas e culpas: será que mandei mensagem e não lembro? (corro para conferir!); falei muita besteira? Fui muito enfática? Ontem foi bom, mas por que estou triste hoje? Meu Deus! Eu não tinha a menor intimidade com fulano para falar as coisas que falei!!!... e por assim vai.
A diversão se esvai, é finda, frívola. É um momento que não dura, evapora. Sinto-me comprando um conforto efêmero a um preço muito alto. Não obstante, em nada adiantaria, também, ficar em casa imersa em angústia, oras! A opção pela abstração, apesar de parecer, não é sinonímia de alienação. Há de se pensar sobre si mesmo; há de se falar sobre as agruras. A cura vem através da fala – eis o caminho básico da psicanálise. Mas quando a língua começa a enrolar é sinal de que a hora de voltar para casa já passou faz tempo!
O olhar 'ressaquento' dos dias seguintes e o inalterável semblante blasé tornaram-se peças do meu vestuário. A indiferença que, sem querer, demonstro pelas coisas faz de mim uma pessoa aparentemente arrogante, enquanto esconde a falta de tesão e de objetivo na vida. A ausência de luz no meu olhar é o reflexo de um fígado pré-cirrótico e de pulmões esfumaçados, mas também de músculos faciais e abdominais cada vez mais enrijecidos!
A diversão pode não trazer consigo a felicidade, mas serve para afastar, mesmo que por longos e preciosos instantes, a tristeza...
Em uma maratona de encontros com amigos, cujo combustível principal para o avivamento dos ânimos não é outro senão cerveja, tenho realizado que as seguidas noites de infindáveis risadas, conversas non-sense, abraços afetuosos e extrema diversão não fazem os meus dias mais felizes. Acordo, invariavelmente, com uma sensação de vazio.
Sou ansiosa; muito. Não sei lidar com a ausência, com o preenchimento da falta pela fantasia, pelas vozes de minha cabeça, pelos diálogos que nunca se realizam, pelas imagens criadas através do desejo, assim como das lembranças devidamente 'editadas' pela memória.
O celular tornou-se um símbolo de opressão, então, para desconcentrar da espera pela mensagem que nunca chega ou para fugir da ligação de sempre, bebo. Ou melhor, saio. A intenção primordial é distrair-me, a bebida é consequência; ou vice-versa! E dá certo até determinado ponto! Realmente tendo a ignorar a existência do aparelhinho e de tudo, e de todos, que ele traz consigo em forma de expectativas, mas o olhar mantém-se distante e à procura, numa constante espera.
Muitos e muitos cigarros depois, e aquele fedor impregnado nos cabelos, nas roupas, nos dedos e no hálito, o dia seguinte começa quase sempre com uma série de perguntas e culpas: será que mandei mensagem e não lembro? (corro para conferir!); falei muita besteira? Fui muito enfática? Ontem foi bom, mas por que estou triste hoje? Meu Deus! Eu não tinha a menor intimidade com fulano para falar as coisas que falei!!!... e por assim vai.
A diversão se esvai, é finda, frívola. É um momento que não dura, evapora. Sinto-me comprando um conforto efêmero a um preço muito alto. Não obstante, em nada adiantaria, também, ficar em casa imersa em angústia, oras! A opção pela abstração, apesar de parecer, não é sinonímia de alienação. Há de se pensar sobre si mesmo; há de se falar sobre as agruras. A cura vem através da fala – eis o caminho básico da psicanálise. Mas quando a língua começa a enrolar é sinal de que a hora de voltar para casa já passou faz tempo!
O olhar 'ressaquento' dos dias seguintes e o inalterável semblante blasé tornaram-se peças do meu vestuário. A indiferença que, sem querer, demonstro pelas coisas faz de mim uma pessoa aparentemente arrogante, enquanto esconde a falta de tesão e de objetivo na vida. A ausência de luz no meu olhar é o reflexo de um fígado pré-cirrótico e de pulmões esfumaçados, mas também de músculos faciais e abdominais cada vez mais enrijecidos!
A diversão pode não trazer consigo a felicidade, mas serve para afastar, mesmo que por longos e preciosos instantes, a tristeza...
2 comentários:
AMO MUITO seu jeito de escrever. Como poderia não gostar se essas letrinhas que formam seu texto traduzem o mesmo que vejo através de seus olhos. Vc é absolutamente sincera com o 'papel'.
Mas não se engane pela sensação de que seus melhores textos são escritos quando vc está triste. Quando descobrir que não é bem assim – ou que não precisa ser assim – vc vai e realizar tanto... quero estar ao seu lado quando isso acontecer (ou será que já está acontecendo? :P )
te amo.
errata: *vc vai se realizar tanto...
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